O dia que o Oiticica rodou a baiana no MAM

heliooiticica-passistamangueiracomparangolenomam11

“..crioulo não entra no MAM, isto é rascismo.”

Para Opinião 65, Hélio Oiticica preparou uma espécie de “parangolé coletivo” (termo de Frederico Morais), levando ao Museu de Arte Moderna diversos passistas da Escola de Samba da Mangueira que “vestiam” suas “capas” e “estandartes” como se fossem adereços carnavalescos. Rubens Gerchman assim descreveu o acontecimento:

Foi a primeira vez que o povo entrou no museu. Ninguém sabia se Oiticia era gênio ou louco e, de repente, eu o vi e fiquei maravilhado. Ele entrou pelo museu adentro com o pessoal da Mangueira e fomos atrás. Quiseram expulsá-lo, ele respondeu com palavrões, gritando para todo o mundo ouvir: “É isso mesmo, crioulo não entra no MAM, isto é rascismo.” E foi ficando exaltado. Expulso, ele foi se apresentar nos jardins, trazendo consigo a multidão que se acotovelava entre os quatros.*

Como se vê, em Oiticica, a crítica aos mecanismos de consagração institucional ultrapassou, nos Parangolés, o campo da retórica para se tornar demonstração, numa estratégia poética que afinal deu visibilidade aos limites, normalmente invisíveis, que separam o “popular” do “erudito”, o “morro” do “museu”, o “atraso” da “vanguarda”. Além disso, também cumpre ter em conta que a dita “participação do espectador” implicou na inserção do “tempo” no universo tradicionalmente “espacial” das artes plásticas – o que, aliás, consistiu numa das características gerais da arte de vanguarda dos anos 1960 e 1970.

E sobre os Parangolés: “..tensionou a própria ideia de “obra de arte”, tradicionalmente definida como um objeto único, contemplativo e capaz de expressar a potência formativa de um sujeito criador. Em linhas gerais, os Parangolés são simplesmente capas coloridas destinadas ao uso ostensivo do corpo. Nesses casos, contudo, a proposição artística só se efetiva, de acordo com seu autor, se aquele que “veste” os Parangolés estiver disposto, no ato de vesti-los, a experimentar o espaço construído pela própria ação. O estímulo à fantasia, assim, não resulta num objeto, mas na experiência de uma proposição, o que evidentemente se opõe à comercialização do mercado e à institucionalização dos museus, da mesma forma que impulsiona o homem – enquanto corpo e consenso – à condição de elemento “figurado” no espaço que lhe envolve.”(p.62)

*Rubens Gerchman apud MORAIS, Frederico. Anos 1960: a volta à figura: marcos históricos. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1944, p. 282.

Em.: Arte e contestação – Artur Freitas, 2013, p.60-63.

Nenhum Comentário

Sorry, the comment form is closed at this time.

O dia que o Oiticica rodou a baiana no MAM

heliooiticica-passistamangueiracomparangolenomam11

“..crioulo não entra no MAM, isto é rascismo.”

Details »

14.11.2015

12249651_1493240957637533_3087852886953099477_npq

Não pode entrar na escola

Details »

Vai vadiar

vaivadia

Quem gosta da orgia

Details »

Eu não sei dizer

entãoeuescuto

Nada por dizer

Details »

No jornalismo não há ética sem democracia

1984democratiza

Nos primeiros capítulos do seu livro..

Details »

Resistimos!

resistimos256256

Não porque somos corajosos.

Details »

A catástrofe do jornalista

jornalistaboom256256

“Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso..

Details »

O palhaço

palhaço

Details »

A dúvida..

23052015-IMG_5044

A dúvida era um insondável sofrimento.

Details »

O seu veículo..

bike

Tenho pedalado diariamente em Londrina..

Details »

Rixa fanfarrão

rixpq

Coisas do Paraná.

Details »

“Era tudo uma coisa só

vidaoperaria

Mário, pedra e lago”

Details »

A maior riqueza do homem

robertshanapakeharrison

É a sua incompletude.

Details »

O recrutamento

marcha

Os passos estão se tornando mais nítidos.

Details »

O que Proudhon diria sobre o Facebook?

1984

Usar o Facebook é..

Details »

E a vida está acabando

ponteiros

Após ter dormido na metade do filme..

Details »

E eu..

eeu

Faltavam 5 minutos para a morte chegar,

Details »

Só nos resta a vida para viver

7a788-enlacoladelinem

“Em nosso sistema político e social,

Details »

O dia da indiferença – Jack Kerouac

diadanossadesesperança

Não é verdade?

Details »

Tellico: Gerenciando coleções de livros

tellico-screenshot

Pesquise na internet os dados do livro com o Tellico.

Details »

Dislike Facebook

dislikestencil

Nos vemos nas ruas..

Details »

Música: O pirata – Ave Sangria

avesangria

Sem bandeira, sem espada, no mar pra viver

Details »

Vídeo: Exija sua privacidade

surveilance

Big Data se transormou em Big Brother..

Details »

Não queremos outra rede social proprietária

images

Saiba porque não estamos interessados..

Details »

Facebook, Google e a identidade online

translate

Confiram a tradução do artigo do http://qz.com.

Details »

Documentário: Vítimas do Facebook

fbnff

O Facebook não foi feito por amor. É um negócio!

Details »

Facebook: Ninguém curte isso

nblfb

Vídeo: Você precisa sair do Facebook legendado.

Details »

O papão

idol-moloch2

“As crianças tem medo à noite..”

Details »

Referenciais

realidade

“Sempre preferi gente ao tempo e ao espaço.”

Details »

Virtude militar

wall

Vês aquele muro?

Details »

Toda flor tem seus espinhos

Sim

Details »

Estar em paz – Oscar Wilde

09022014-IMG_5404-2

“Descansar na macia terra escura,

Details »

Bad luck

badluck

Gostaria de enraizar..

Details »

Jornalismo que preocupa: Gazeta do Povo

EditorialGazetadoPovo

Gazeta do Povo sobre protestos no Brasil.

Details »

Documentário: Black Block legendado (2011)

blackblock2011

Documentário: o terror policial em Gênova 2001.

Details »

Filme: Diaz – Não limpe esse sangue (2012)

diaz-movie.jpg

“Mataram um de 22. O que mais querem?”

Details »

Documentário: El cine libertario legendado

nosotrossomosasi

La revolución en el séptimo arte

Details »

Copavi: Terra libertada, sonho construído

copavi

“Uma prova de que é, sim, possível.”

Details »

Música: A banca do distinto

burguesia

Pra que tanta pose, doutor?

Details »

Música: Eu despedi o meu patrão

autogestao

Ele roubava o que eu mais valia..

Details »